As mudanças climáticas atuais

08/12/2011
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Histórico

A variação do clima é um fenômeno natural, apresentando períodos de mudanças intensas em algumas fases da história do planeta. Mas a rapidez da alteração climática que vem ocorrendo nas últimas décadas é considerada pelos cientistas um fenômeno atípico. Inúmeros estudos confirmam que a elevação da temperatura média da Terra e o aumento do nível dos mares pelo derretimento das áreas geladas são evidências da intensificação do efeito estufa.

O efeito estufa é o fenômeno natural do planeta em que determinados gases na atmosfera impedem que parte do calor absorvido do sol seja dissipado de volta ao universo. Mas a partir da Revolução Industrial alguns gases do efeito estufa (GEEs), com destaque para o dióxido de carbono, passaram a ser emitidos em quantidades cada vez maiores pelas atividades humanas, principalmente as que utilizam combustíveis fósseis e as que promovem destruição das florestas. O efeito estufa se tornou gradativamente mais intenso, levando ao aquecimento global que tem gerado mudança das características do clima, como ocorrência das chuvas, duração das estações secas, dinâmica de massas e correntes de ar e ocorrência de fenômenos abruptos como ciclones, tempestades e furacões.
 
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) provenientes de atividades humanas cresceram 70% entre 1970 e 2004.  Do total de emissões antropogênicas, 77% correspondiam ao dióxido de carbono, que no mesmo período teve um aumento de 21 para 38 gigatoneladas (Gt).  Para se ter uma ideia, 1 tonelada de carbono é aproximadamente o que emite um carro popular durante um ano, usando gasolina. O aumento de emissões de dióxido de carbono equivalente  foi bem maior no período de 1995 a 2004, do que de 1970 a 1994.  Os setores que mais contribuíram para o aumento de emissões foram energia, transporte e a indústria e em um ritmo menor os edifícios comerciais e residenciais e os setores florestal e da agricultura. Atualmente, estudos sugerem que o planeta está próximo aos 50 Gt CO2e e poderá chegar a 61 Gt em 2020 e 70 Gt em 2030. Discute-se sobre a capacidade da Terra de absorver tais emissões e números científicos apontam que as emissões na Terra estão atualmente cerca de quatro vezes superiores a essa capacidade (entre 6 e 9 Gt CO2 e), em um processo que teve início em meados do século XIX, com a Revolução Industrial.

No relatório do IPCC divulgado em 2007, foi estimada que uma concentração de 500 a 550 ppm (partes por milhão) de CO2 na atmosfera elevará a temperatura em provavelmente 3ºC, o suficiente para extinguir espécies de plantas (entre elas as culturas agrícolas), derreter geleiras em montanhas e afetar o suprimento de água de milhões de pessoas, comprometendo a sobrevivência humana. Na ocasião, os cientistas sugeriram que o ideal seria conter essa elevação a no máximo 2ºC em relação aos níveis pré-industriais - pouco mais de 1ºC acima da temperatura média atual. Em março de 2009, na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Copenhague, os pesquisadores já disseram que a capacidade de tolerância do planeta pode ser inferior a esses 2ºC.

Análise Econômica

Lançado pelo governo britânico em 30 de outubro de 2006, o Relatório Stern é considerado o estudo mais completo publicado até hoje sobre os aspectos econômicos envolvendo a mudança do clima no mundo. A estimativa do Relatório é que os riscos de mudanças climáticas sem controle podem ameaçar 20% do PIB mundial ou mais. Em contraste, os custos de ações para se reduzir emissões de gases do efeito estufa podem ser limitadas a 1% do PIB global a cada ano.  As pessoas pagariam um pouco mais por produtos com uso intensivo de carbono, mas as economias mundiais poderiam continuar a crescer em ritmo forte.

Se não tomarmos ações para controlar as emissões, cada tonelada de CO2 que emitimos hoje está causando estragos na ordem de 85 dólares - mas os custos não estão inclusos quando investidores e consumidores tomam decisões sobre como gastar seu dinheiro.  Esquemas de comercialização de reduções de carbono equivalente demonstram que existem muitas oportunidades para se cortar emissões por menos de 25 dólares a tonelada. Em outras palavras, a redução de emissões nos deixará numa posição mais vantajosa. Os benefícios da mudança da economia global para um caminho de baixo uso de carbono podem chegar ao longo do tempo a 2,5 trilhões de dólares por ano.

Essa mudança também traria grandes oportunidades. Mercados de tecnologias de baixo uso de carbono valerão pelo menos 500 bilhões de dólares e possivelmente muito mais, por volta de 2050 se o mundo agir na escala necessária. Combater a mudança do clima significa uma estratégia pró-desenvolvimento; ignorá-la subtrairá definitivamente o crescimento econômico.

Estratégia Corporativa para a Economia de Baixo Carbono

Para alcançar a meta de não elevar a temperatura média do planeta acima do limite de segurança de 2oC, estabelecido pelo IPCC, a concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera deverá se estabilizar por volta de 450 ppm. Para esse fato ter uma maior probabilidade de ocorrer, as emissões de GEE terão de entrar em uma curva descendente a partir de 2015. Isso implicará em um enorme esforço tanto por parte das instituições privadas quanto por parte das públicas. 

A transição para uma economia de baixo carbono é um desafio que exigirá mudanças profundas nos modelos atuais de produção, gestão, usos da energia/insumos e consumo. Entretanto, o processo de transição cria oportunidades para investimentos em inovação tecnológica, desenvolvimento de novos processos produtivos mais eficientes e criação de novos produtos. 

Dessa forma, o controle das emissões de gases de efeito estufa não é uma questão meramente ambiental imposta por atos regulatórios ou pressões sociais, também é uma questão imposta por pressões do mercado que demanda redefinição de estratégias corporativas a médio e longo prazo. 

As mudanças climáticas entraram na agenda corporativa para se tornar um dos mais importantes fatores que afetam o ambiente de suas operações. No Brasil, isso pode ser observado pela intensificação da criação de políticas públicas, em âmbito local, demandando ações relacionadas a restrições de emissões de GEE como, por exemplo, a instituição da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) que visa, sobretudo, à redução das emissões antrópicas de GEE em relação às suas diferentes fontes. 

Da mesma forma, empresas com atuação global já são afetadas fortemente pelos desdobramentos das Mudanças Climáticas, tanto do lado da oferta/demanda de seus produtos no comércio internacional como pela expansão geográfica dos seus negócios.

Referências bibliográficas para o conteúdo dessa página:

Cartilha CNI- Confederação Nacional da Indústria. Estratégias Corporativas de Baixo Carbono: Gestão de Riscos e Oportunidades/ Confederação Nacional da Indústria. – Brasília, 2011

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