Evento Anual comemora os cinco anos do Programa Brasileiro GHG Protocol e destaca os resultados dos inventários de 2012

106 organizações elaboraram e divulgaram seus inventários de emissões de gases de efeito estufa através do Registro Público de Emissões. Evento também retomou a história do Programa Brasileiro e discutiu os caminhos para a promoção de uma cultura corporativa de inventários no Brasil 08/08/2013
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Por Bruno Toledo (GVces)
 

A maior iniciativa voluntária de publicação de inventários corporativos de emissões de gases do efeito estufa (GEE) no país, o Programa Brasileiro GHG Protocol, completa cinco anos de atividades em 2013 com números que mostram a evolução da cultura corporativa de inventários e o engajamento de empresas em estratégias de redução e gestão de GEE no Brasil. O Programa reúne 106 organizações – um aumento de 450% desde o começo da iniciativa, em 2008 – dos mais variados tamanhos e dimensões, representando 16 setores da economia brasileira.

Esta trajetória de sucesso e os principais marcos e personagens foram lembrados no último dia 05 no Evento Anual, promovido pelo Programa Brasileiro e pelo GVces no Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, em São Paulo. Além de celebrar o quinto aniversário do Programa, o Evento Anual também marcou a publicação dos resultados dos inventários referentes ao ano de 2012 das organizações membros.

O evento contou com a participação de mais de 250 pessoas, entre membros, parceiros e convidados do Programa Brasileiro. A mesa redonda, conduzida por Paulo Branco, vice coordenador do GVces, contou com a participação de representantes de alguns dos parceiros do Programa: Rachel Biderman, consultora sênior do World Resources Institute (WRI) e ex-coordenadora do Programa Brasileiro; Fernando Figueiredo, diretor do Carbon Disclosure Project (CDP) no Brasil; e Mário Augusto Cardoso, especialistas em meio ambiente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Clique aqui para visualizar as apresentações feitas durante o Evento, e aqui para acessar aos principais dados dos resultados 2012 apresentados.

Cultura de inventários corporativos

Um dos propósitos fundamentais do Programa Brasileiro desde a sua criação é a promoção de uma cultura de mensuração das emissões de GEE para organizações no Brasil, e os resultados apresentados neste ano destacam não apenas a evolução do Programa em si, mas principalmente do tema de mensuração, relato e verificação (MRV) no país. “O número de inventários verificados por terceira parte já corresponde a 47% do total dos inventários publicados pelos membros do Programa neste ano”, apontou Beatriz Kiss, coordenadora da iniciativa. “Isso indica que as empresas estão se interessando cada vez mais por agregar qualidade e credibilidade às informações que estão sendo publicadas em seus inventários”.

Em 2008, quando o Programa foi criado pelo GVces – em parceria com o WRI e com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), contando com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e da Embaixada Britânica no Brasil – a discussão sobre mensuração de carbono nas empresas brasileiras ainda estava em um estágio bastante preliminar.  A criação do Programa ainda teve como observadores o ICLEI e a CETESB.

 

“Cinco anos depois da criação do Programa Brasileiro, as organizações do país já não discutem mais a pertinência e a necessidade de se fazer inventários e gerir emissões, mas a forma como isso pode ser feito”, aponta Mário Cardoso (CNI). “Conhecer as suas emissões é estratégico para as empresas, não apenas pela perspectiva do seu negócio, mas também por causa das demandas legais que estão surgindo nesse campo”.

Um desafio importante no começo do Programa era mostrar para estas organizações não apenas a importância de se elaborar inventários de emissões, mas também de existir padrões comuns aceitos globalmente para orientar este trabalho. “Uma dificuldade dessa época era mostrar para as empresas e convencê-las do valor de uma metodologia que fosse comum para todos os países, de forma a permitir a comparabilidade entre eles”, relembra Rachel Biderman (WRI), ex-coordenadora do Programa Brasileiro e uma das principais lideranças no processo de criação da iniciativa. 

A comparabilidade é um aspecto importante, principalmente aos investidores e à competitividade dos produtos e empresas brasileiras no mercado mundial. “Os investidores estão olhando cada vez mais os riscos de longo prazo associados à questão climática e estão dando preferência para as empresas que já se preparam nesse sentido”, argumentou Fernando Figueiredo (CDP Brasil). Para a indústria brasileira, o desafio é dar dimensão para a gestão de emissões dentro das empresas brasileiras, e uma das iniciativas voltadas para isso é a parceria recente entre CNI e o Programa Brasileiro na capacitação de profissionais e de empresários de todas as regiões do Brasil. Desde o ano passado, mais de 370 profissionais já foram capacitados em oficinas promovidas por todo o país. 

Perspectivas

Se em 2008 a principal questão voltada ao tema nas organizações era como elaborar o próprio inventário corporativo de emissões, atualmente a discussão evoluiu e passou a contemplar a gestão das emissões e adoção de eventuais metas de redução, buscando aumentar a competitividade das empresas brasileiras no cenário internacional.

Os convidados da mesa-redonda sinalizaram ainda que os Planos Setoriais de mitigação e adaptação elaborados pelo governo federal deveriam expressar claramente suas iniciativas, assim como os ganhos com impactos reais de seus desdobramentos. “O governo precisa sinalizar o que pretende em termos de economia de baixo carbono”, defende Cardoso. Para Mario Monzoni, coordenador do GVces, “as metas estão sendo definidas a partir de um cenário bastante otimista de crescimento, que acaba garantindo seu cumprimento mesmo sem que haja qualquer iniciativa real de redução”. Para ele, as metas se tornaram um mito e geram um receio entre as empresas sobre a competitividade internacional, quando na verdade estimulam uma vantagem brasileira: “Nosso produto é pouco intenso em carbono. Quanto mais transparente formos, maior nossa competitividade.”

 

Homenagem aos membros fundadores

O Programa Brasileiro GHG Protocol aproveitou o momento de comemoração para homenagear 16 organizações brasileiras que participam da iniciativa desde a sua criação, publicando seus inventário há cinco anos consecutivos. As organizações homenageadas – Abril Comunicações, Alcoa Alumínio, Anglo American, Banco do Brasil, CESP, Copel, EDP, Ford, Grupo Boticário, Itaú, Natura, Organização Bradesco, Polícia Federal, Suzano, Votorantim Industrial e Whirlpool Latin America – receberam um bonsai que representa o comprometimento e o engajamento destas organizações com a elaboração e publicação de suas emissões de GEE e o comprometimento no desafio de combater as mudanças climáticas.

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