Novo encontro de GT sobre escopo 3 discute emissões ao longo da cadeia de valor

01/05/2013
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Programa Brasileiro GHG Protocol promove encontro de GT que aborda o escopo 3 nos inventários corporativos, e destaca a importância do engajamento dos fornecedores

GVces, 29/04/2013
Bruno Toledo

Um dos principais desafios das empresas para uma gestão eficiente de emissões de gases de efeito estufa (GEE) é o levantamento das emissões que acontecem fora das suas operações diretas, mas que estão relacionadas com as suas atividades – ou seja, as emissões que ocorrem além dos limites organizacionais de uma determinada empresa inventariante, mas dentro da sua cadeia de valor. 

Estas emissões são denominadas de “escopo 3” dentro dos inventários corporativos de GEE, e representam um desafio exatamente pela dificuldade e pela complexidade que as empresas ainda possuem em engajar todos os seus fornecedores em torno da gestão das suas emissões, especialmente aqueles que ainda não têm conhecimento ou condições para fazer este gerenciamento. 

Com este contexto em mente, o Programa Brasileiro GHG Protocol organizou no dia 17 de abril mais um encontro do grupo de trabalho (GT) que aborda a mensuração, reporte e verificação de emissões de escopo 3 no inventário corporativo de GEE. Além de discutir o engajamento dos fornecedores, o encontro também trabalhou a questão das emissões em transportes, um tipo de emissão frequente em todos os setores empresariais, com a utilização de uma ferramenta que está sendo desenvolvida pelo Programa Brasileiro para contabilizar as emissões de transporte aéreo de passageiros e de materiais.

Escopo 3 e a importância do engajamento dos fornecedores

Em outubro de 2011, o WRI definiu 15 categorias para mensuração e reporte dessas emissões nos inventários corporativos de GEE. Essas categorias se distribuem nas atividades ao longo da cadeia de valor da empresa, desde os bens e serviços contratados ou comprados, viagens a negócios, deslocamento de funcionários, até o uso e tratamento de fim de vida dos produtos vendidos, franquias e investimentos da empresa inventariante.

No novo encontro, o GT abordou um guia do WRI (Supplier Engagement Guidance) voltado para o engajamento de fornecedores ao longo da cadeia de valor da empresa inventariante, que estabelece dois pontos básicos para promover esse envolvimento: o planejamento interno prévio da empresa e a coleta de dados de GEE junto aos fornecedores. 

Na parte do planejamento interno, as organizações devem desenvolver uma estratégia para a coleta de dados de emissões de GEE dos seus parceiros na cadeia de valor a partir de quatro tarefas: identificar os setores "críticos" e os departamentos internos responsáveis por essa coleta; selecionar os fornecedores, identificando as atividades significativas ou os processos para os quais os dados de GEE do fornecedor seriam benéficos, definindo os limites do engajamento da cadeia de valor e, se necessário, selecionar aqueles que possam melhor contribuir para o inventário de emissões; engajar a equipe de compras no processo de seleção dos fornecedores, de forma a garantir a adesão ao processo de coleta de dados de GEE; e, finalmente, desenvolver métodos para gerenciar os dados do fornecedor, o que inclui o processo de coleta de dados, a garantia da qualidade desse dado e as formas como ele será reportado.

Já a coleta de dados em si depende diretamente da forma como os fornecedores são engajados pela empresa inventariante. Alguns pontos fundamentais para esse engajamento são uma comunicação efetiva, o acompanhamento atento do processo, o conhecimento sobre o tema e o reconhecimento do envolvimento dos fornecedores por parte da empresa. Nesse sentido, é importante que as empresas procurem informar seus fornecedores sobre o inventário, a metodologia utilizada, os tipos de informações coletadas, e a finalidade dos dados coletados, além de promover treinamentos e capacitações sobre o tema junto aos fornecedores e consultá-los periodicamente quanto ao progresso do levantamento de dados sobre emissões de GEE. Outro ponto abordado pelo guia do WRI é a definição de consequências para os fornecedores que optarem por não atender à proposta de levantamento de dados, algo que pode ser contraproducente caso não seja atentamente observado. Uma alternativa para promover o engajamento dos fornecedores pode ser o estabelecimento de benefícios ou vantagens, além de reconhecimento e capacitação, àqueles que participarem do processo. A realização de uma avaliação final, com o compartilhamento de experiências e de informações e o reconhecimento dos mais comprometidos, também pode servir para envolver ainda mais os fornecedores em torno da gestão de suas emissões.

Emissões em transporte

Dentre as categorias de emissão de escopo 3, aquelas relacionadas com transporte de passageiros e materiais – viagens a negócios, transporte de colaboradores, transporte e distribuição upstream (serviços de transporte e distribuição adquiridos pela empresa inventariante) e downstream (serviço de transporte e distribuição não adquiridos pela inventariante) – frequentemente representam uma parcela relevante das emissões desse tipo em quase todos os setores empresariais. 

Por causa disso, o Programa Brasileiro GHG Protocol está desenvolvendo uma ferramenta auxiliar para fazer a contabilização das emissões de escopo 3 nessas categorias no modal aéreo, e os participantes do GT tiveram a oportunidade de trabalhar com ela no encontro. Além de testá-la, os participantes deram sugestões de aperfeiçoamento, que serão levadas em consideração pela equipe do Programa Brasileiro na finalização técnica da ferramenta. 

Fotos: Luiza Xavier e Thiago Queiroz (GVces)

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